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Driblando os bancos

Você já deve ter visto alguém reclamar das taxas muito altas de empréstimo dos bancos, ou você mesmo já foi esse alguém. Agora, se você odeia pedir dinheiro emprestado ao banco, imagina as empresas que estão em crescimento e precisam pedir empréstimo o tempo todo para conseguir investir em seus negócios? Odeiam muito mais. Por isso eles dão um jeito de driblar os bancos para conseguir empréstimos muito mais baratos, e qualquer pessoa comum pode tirar vantagem nisso.


Se você já leu o texto O mapa do tesouro, vai entender fácil fácil esse aqui, porque o processo é bem semelhante. Se ainda não leu, corre lá depois que acabar esse aqui.


Imagina uma empresa de chocolate (aproveitando o clima de páscoa), e essa empresa quer expandir seus negócios para outros países. Para isso, precisa investir em maquinário para aumentar a produção, em marketing para cativar os novos clientes e consolidar a marca, em uma equipe jurídica especializada nesse tipo de negócio para não correr riscos de ter problemas com as leis desses países, em funcionários de diversas especialidades para as operações, em logística para distribuir os chocolates… enfim, muita coisa, e que custam muito dinheiro. Na imensa maioria dos casos, não há dinheiro em caixa para todo esse custo, e a empresa vai precisar dos indesejáveis empréstimos para fazer esses investimentos.


Daí vem o truque de mestre: ao invés de pedir dinheiro emprestado nos bancos, essa empresa de chocolates resolveu pedir dinheiro emprestado para qualquer pessoa que quisesse emprestar, oferecendo uma taxa que é menor do que a que seria paga ao banco. E como essa empresa fez isso? Emitindo debêntures.


Debêntures são títulos privados de renda fixa, bem parecido com os do Tesouro Direto, mas que são emitidos por empresas privadas que precisam captar recursos para algum projeto. Na prática, é a forma de uma pessoa comum, como eu e você, emprestarmos dinheiro para empresas. As empresas ganham por pagar uma taxa menor que a dos empréstimos bancários, e isso não quer dizer que as taxas sejam baixas, e sim que as taxas bancárias são muito altas, principalmente porque eles tem um custo muito alto com infraestrutura que uma pessoa comum não tem.


As debêntures podem ter sua rentabilidade pré-fixada, pós-fixada ou híbrida, assim como os demais títulos de renda fixa, mas em alguns casos também podem converter seus pagamentos em ações da bolsa de valores, que na maioria das vezes são ações da própria empresa, mas em alguns casos também podem ser convertidas em ações de outras empresas.


Outro ponto legal é que as debêntures tem todas essas condições previstas desde antes do investidor decidir investir, então pode ficar tranquilo que tudo é tratado em pratos limpos.


Mas nem tudo são flores, jovem padawan. As debêntures também tem algumas desvantagens se comparadas com outros títulos de renda fixa que podem ou não ser um problema, dependendo do perfil de cada investidor. O primeiro deles é que, diferente dos títulos do Tesouro Nacional e os títulos emitidos por bancos, como CDB’s, LCI’s e LCA’s, as debêntures não tem garantia. Nesses outros títulos, caso tudo dê errado e os bancos venham à falência, o Fundo Garantidor de Crédito compensa ao investidor até 250 mil reais por CPF. Já no caso das debêntures, existe o risco de calote e, se a empresa falir ou não tiver caixa, pode te deixar de mãos abanando. Isso é bem difícil de acontecer, e em alguns desses casos, as debêntures acabam sendo convertidas em ações. Mas esse risco muitas vezes acaba sendo compensado com maiores taxas.


Outro ponto negativo é a liquidez. As debêntures costumam ter prazos de liquidação longos, como de 5 a 10 anos, e isso faz com que elas não sejam uma opção para o curto prazo, pois mantêm o dinheiro preso por um longo tempo, assim como alguns outros títulos de renda fixa.


Por isso, é muito importante analisar bem as empresas onde se vai investir, ver se são de confiança, não acreditar em qualquer indicação cegamente e, principalmente, DIVERSIFICAR. Não coloque todos os ovos na mesma cesta, tenha sempre mais de uma linha de investimento pois, se uma der errado, você tem outras que podem te resguardar.


Tem muito mais detalhes sobre as debêntures que, se fosse para detalhar tudo, daria um livro. E olha que coincidência! EU TENHO JUSTAMENTE ESSE LIVRO PARA INDICAR PARA VOCÊS :O


Debenture-se, de Vinicius Becker é um livro bem atual falando mais detalhes sobre as debêntures e que está só R$1,99, o preço da Halls que você comprava no ônibus antes da quarentena. Mas a Halls não te ajuda a ganhar dinheiro, não é mesmo? Então aproveita essa quarentena para ler bastante e começar a ser o mago dos investimentos, a melhor hora é sempre a que você toma a decisão.


Por hoje é só, meu povo! Até o próximo artigo o/





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