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A Bolsa tem sentimento?

Um belo dia, você pode acordar, pegar o seu celular e ler uma notícia de que presidente dos Estados Unidos deu declarações polêmicas acerca do meio ambiente,ou de qualquer outro assunto que não tenha relação direta com economia. Na manchete seguinte, está escrito “Bolsa brasileira reage ao comentário do presidente dos Estados Unidos, caindo 2 pontos percentuais”. Faz algum sentido? Afinal, a Bolsa de Valores tem opinião ou sentimento?


Primeiramente, quando dizemos que uma Bolsa valorizou ou desvalorizou, na verdade o que ocorreu foi a mudança em um índice que acompanha os preços das principais ações dessa Bolsa. No caso da Bolsa brasileira, esse índice é o Ibovespa, que apresentamos no artigo “Bê-a-bá dos investimentos”.


Toda Bolsa de Valores funciona como um mega leilão de participações em empresas. As empresas ganham dinheiro quando lançam ações no mercado, mas a partir disso, a variação da Bolsa de Valores não afeta diretamente o seu caixa, apenas o valor de mercado dela, que seria o preço justo que alguém precisaria pagar caso quisesse comprar aquela empresa.


Quem realmente é beneficiado ou prejudicado com as variações na bolsa de valores é apenas quem deseja vender sua participação em uma determinada empresa. Ou seja, se você comprou uma participação na empresa XPTO a R$10,00 e ela valorizou 10% em determinado período, você pode vender essa participação por R$10,10, garantindo 10 centavos de lucro entre as operações de compra e venda da sua parte nessa empresa. Caso ela desvalorizasse, esse mesmo processo geraria prejuízo.


Lembra que eu falei que a Bolsa de Valores é um grande leilão? Pois é, em todo leilão tem pessoas querendo comprar e pessoas querendo vender um determinado bem, e o preço pago por esse bem vai depender da disputa entre as pessoas que querem comprá-lo. Quanto mais pessoas “brigam” pelo que se está a venda, mais dinheiro vão oferecer por ele. Essa é a famosa lei da oferta e da demanda, e em termos teóricos é isso que faz as ações da Bolsa de Valores variar.


E por que então que essas ações podem variar com notícias aparentemente irrelevantes para a economia? Justamente porque esse preço depende da vontade das pessoas em negociar seus bens, e pessoas tem sentimentos. A Bolsa reflete opiniões sobre diversos fatos que podem gerar mais segurança para adquirir mais bens que podem se valorizar, ou insegurança para se livrar de bens que podem gerar prejuízo.


As notícias que mais afetam as Bolsas são políticos e comerciais. Mas tem exceções: epidemias, grandes greves, fatores ambientais e até posicionamentos sociais de grandes empresas tem sido também fatores que levam pessoas a serem estimuladas positiva ou negativamente ao comércio de ações, e esses estímulos são muito potencializados com a alta velocidade de propagação da informação que existe através das redes sociais.

Indiretamente, essas questões realmente podem influenciar nos resultados comerciais dessas empresas, mas não necessariamente o medo ou a animação causados por essas notícias são proporcionais ao real impacto econômico que elas causam.


No longo prazo, essas variações momentâneas costumam se tornar irrelevantes, e as empresas crescem ou decrescem de acordo com seu próprio êxito comercial, mas para quem faz investimentos visando o curto prazo, essas oscilações devem ser constantemente avaliadas, pois elas alteram o padrão de comportamento do preço das ações e podem trazer resultados inesperados.


É isso, pessoal! Até a próxima o/



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