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Dólar alto é bom?

Recentemente, o dólar se valorizou como um foguete em comparação ao real, em um ritmo que ficou ainda mais acelerado com a crise provocada pelo coronavírus. Assustou todo mundo, gerou um monte de discussão. Mas no final das contas, dólar alto é ruim? É bom? Não muda nada porque eu sou brasileiro e ganho em real? Quem ganha e quem perde com isso?


Bom, na economia, quase nunca existe um bom ou ruim absoluto, mas a cada mudança vantagens e desvantagens dependendo do momento e do contexto, quase como um jogo de xadrez, e isso acontece também na questão do câmbio.


Existem várias variáveis que influenciam na valorização ou desvalorização de moedas, como inflação, oferta e demanda, endividamento, estabilidade política, circulação, entre outras. Para muita gente, se o dólar subiu em comparação com o real, quer dizer que as coisas vão ficar mais caras na mesma medida, mas isso não necessariamente é verdade porque a inflação de preços é só um dos vários fatores que podem alterar isso.


Por exemplo: em um determinado ano,um saco de arroz custava 4 reais, e um dólar custa R$2,00. No ano seguinte, devido à inflação, o preço do saco de arroz subiu para 5 reais, mas o valor do dólar subiu também para 5 reais. Logo, o preço do arroz, em dólares, foi de 2 dólares para 1 dólar.


Essa situação é parecida com a que vem acontecendo no Brasil. O dólar aumentou mais que o nosso poder de compra. Isso é bom para quem vende produtos ao exterior que sejam pagos em dólar, pois ao converter esse valor em reais, quem recebe esse pagamento fica com mais dinheiro.


Impacto na economia nacional


O Brasil é um grande exportador de produtos agrícolas, como a soja, por exemplo, e ao receber o valor das vendas desses produtos em dólar, esses produtos se tornam mais caros para os produtores rurais e se mantém no mesmo custo para os compradores estrangeiros, o que é uma grande vantagem para o produtor.


Mas nem tudo são flores. Nesses casos, comprar produtos importados se torna muito mais caro, e viajar para os Estados Unidos também, pois o que lá se comprava ao custo de 2 reais antes, agora se compra a 5 reais, sem contar com a própria inflação americana.


Quando isso acontece, pode ser a hora de olhar mais para marcas nacionais, ou internacionais que tenham fábricas no Brasil, porque elas são menos afetadas por essa mudança, já que não precisam importar o produto de fora, e conseguem oferecer um preço melhor por produtos de qualidade similar aos produtos de produção americana. Isso ainda ajuda a fazer essas marcas crescerem e gerarem mais empregos dentro do próprio país.



Como proteger seus investimentos


Para quem é investidor, é importante ter sempre ativos que sejam direta ou indiretamente apoiados no dólar. Muitas empresas brasileiras listadas na Bolsa de Valores tem bastante mercado internacional e um grande volume de vendas em dólar, e acabam se fortalecendo nesse cenário. Existem também as BDRs, que são títulos brasileiros que acompanham a cotação de empresas americanas e, por isso, também se beneficiam do dólar alto. Empresas que vendem apenas para o mercado nacional podem se manter neutras ou serem prejudicadas com a alta do dólar, caso dependam de importações para manter seu negócio.


Também é possível abrir contas em corretoras americanas, que apesar de ser um pouco mais burocrático para brasileiros, é uma ótima alternativa para se proteger desse tipo de cenário.


Momentos de alta brusca do dólar mostram claramente a necessidade não só de investirmos, para termos uma reserva em tempos de dificuldade, mas de diversificar os nossos investimentos, para diluirmos os riscos em organizações de naturezas diferentes e nos prevenirmos contra os imprevistos que o futuro pode nos trazer. Para fazermos bem isso, indico a leitura de A lógica do Cisne Negro, de Nassim Nicholas Taleb, um estatístico com que conseguiu enriquecer nas piores crises econômicas que enfrentou, escreveu este best-seller mostrando como proteger seu patrimônio de imprevistos, com o máximo de rentabilidade possível.


Por hoje é só, pessoal! Até o próximo artigo o/




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